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NO INTERVALO DE UMA ONDA

um solo de Rafael Alvarez / BODYBUILDERS

Estreias >

7 Outubro 2017, RYOGOKU BEAR, Tóquio

1-4 Novembro 2017, Festival Temps d'Images, Negócio / ZDB, Lisboa

 

Circulação >

21 Outubro 2017, BUoY Arts Centre, Tóquio

Auditório Municipal Augusto Cabrita (2018 – data a anunciar), Barreiro

16 Fevereiro 2018, TPAM Fringe – Perfroming Arts Meeting, BUKATSUDO, Yokohama (Japão)

21 Julho 2018, Festival Citemor, teatro da Cerca de São Bernardo/Escola da Noite, Coimbra

 

Workshops >

8 Novembro 2017, Alunos da Escola Artística António Arroio, Lisboa

17 Novembro 2017, Dança Contemporânea +55 & Seniores, Palácio Pancas Palha/Companhia Olga Roriz, Lisboa

 

Ciclo de Encontros / Masterclasses >

15 Novembro 2017, Escola de Artes – Universidade de Évora, Évora

16 Novembro 2017, Escola Superior de Arte e Design, Caldas da Rainha

17 Novembro 2017, Escola Superior de Dança, Lisboa

 

Exposição + Lançamento Livro de Fotografia >

4 – 20 Novembro 2017, Livraria Palavra de Viajante, Lisboa

NO INTERVALO DE UMA ONDA revela-se através de um diálogo silencioso de escuta e de observação. A experiência estética do exercício da viagem materializa-se numa escrita coreográfica e plástica do invisível, do indizível, do imanente, do efémero, do frágil e do intuitivo. Nesta primeira viagem a Tóquio coleccionam-se e cruzam-se referências e impressões, obras e narrativas que alimentam o espólio de imaginários e imagens em torno do país do Sol nascente. A partir do meu olhar exótico deixo-me guiar pela acumulação de lugares comuns e clichés de uma certa imagem (ocidental) do Japão e simultaneamente mergulho num mar de descobertas e revelações engolido pela megalópole de Tóquio. Do detalhe ao ritual, do simbólico ao abstracto, reencontro-me na fragilidade, na efemeridade e na potência dos materiais e matérias que me proponho explorar - corpo e papel.

Uma imagem iniciática motiva a criação deste solo, permanecendo invisível, mas presente através deste projeto – 'A Grande Onda de Kanawaga', obra icónica do pintor japonês Hokusai criada em 1830 e reproduzida a partir de meados de 1870 através de uma série de litografias partindo da técnica tradicional de estampa japonesa, conhecida por Ukiyo (literalmente, “mundo flutuante”), que conduziram a um momento de grande visibilidade e exportação da arte japonesa no mundo ocidental e inversamente/reciprocamente, uma contaminação e influência da arte ocidental na arte japonesa. O projecto traça uma relação simbólica e factual entre as cidades de Lisboa, Paris e Tóquio dando relevo a um conjunto de factos que envolvem esta obra e a sua divulgação no Ocidente. Nomeadamente pelo impacto e influência que esta obra provocou no trabalho dos Impressionistas Franceses, na obra musical (La Mer) de Debussy ou no fascínio que Baudelaire revela pela obra/autor em questão. A par da primeira presença de ocidentais – os nanban (primitivos e bárbaros do sul) na região do Japão se dever a uma embarcação portuguesa perdida nos mares da baía japonesa. A onda de Hokusai revela-se revolucionária em parte pela escolha de cores menos usuais no contexto japonês (azul prussiano) e pelo desenvolvimento do tema e género da paisagem através dos seus ukiyo-e (mundos flutuantes), constituindo-se desde então numa imagem globalizada, pop e reproduzida até à exaustão mas ainda assim especial e introspectiva. Outra perspectiva interessante na análise desta imagem é a presença de duas leituras opostas – a oriente, a sublimação da omnipresença da Natureza presente na filosofia budista e o equilibrio da energia vital de ligação entre céu e terra. Inversamente, a ocidente na revelação da iminência da catástrofe e do desastre e da heroicidade do humano que intenta na conquista e manipulação da natureza.

Neste mundo flutuante nada é demasiado pequeno ou insignificante para deter a nossa atenção. Este solo de sombras, evocações e máscaras cuja onda de Hokusai permite corporalizar é um convite duplo à viagem e à quietude.

Estes materiais e fontes de pesquisa contribuiram para o desenvolvimento de um olhar contemporâneo sobre estas implicações históricas, interpelando para a exploração de novas possibilidades e novas dramaturgias para uma releitura destas ligações e destas imagens lançadas pela escrita dramatúrgica e coreográfica presente neste espectáculo.

 

O projecto resulta de uma colaboração luso-franco-nipónica e integra um conjunto de residências artísticas e apresentações em Tóquio, Paris, Lisboa, Porto e Montemor-o-Novo realizadas ao longo de 2017, culminando numa ante-estreia dupla do espectáculo em Tóquio (Outubro'17) e em Lisboa (Novembro'17) no âmbito da programação do Festival Temps d'Images 2017 e numa reposição no Auditório Municipal Augusto Cabrita no Barreiro.

 

O projecto que assinala os 20 anos de percurso profissional na Dança do coreógrafo/intérprete Rafael Alvarez constitui a primeira produção de maior escala da BODYBUILDERS no seu primeiro ano de actividade. O projecto integra igualmente a realização de actividades complementares de formação/sensibilização de públicos:

 

  • Workshops dirigidos a público juvenil e sénior;

  • Ciclo de Encontros/Masterclasses dirigidas a estudantes do ensino superior artístico em torno do projecto criativo do espectáculo, co-organizadas em parceria com Escola Superior de Dança, Universidade de Évora - Escola de Artes, Escola Superior Arte e Design Caldas da Rainha;

  • Exposição de fotografia . Projecto de fotografia (desenvolvido com o patrocínio da FUJI Film Portugal) acompanha e regista os períodos de pesquisa/criação no Japão funcionando como uma colecção de imagens de documentação/diário de bordo. Esta colecção de 100 imagens captura impressões e movimentos de personagens anónimos dialogando com o espaço e fluxo da cidade de Tóquio.

As actividades complementares ao espectáculo desenvolvem-se a partir do universo temático propondo formas alternativas de mediar o espectáculo e o seu conteúdo com os seus diferentes públicos envolvidos, aproximando a obra e os seus autores da comunidade. Explorando em particular as ligações, diálogos, pontes, distâncias e proximidades entre a diversidade de locais, culturas e pessoas. Aproximando, distanciando, cruzando, acumulando, multiplicando, questões transversais, cuja onda de Hokusai permite adivinhar/corporalizar.

 

Direcção artística, coreografia, cenário, vídeo e figurino // Rafael Alvarez

Interpretação // Rafael Alvarez

Colaboração artística (interpretação video) // Kotomi Nishiwaki

Direcção técnica e Desenho de luz // Nuno Patinho

Gestão e Produção // BODYBUILDERS | Rafael Alvarez

Apoio à Produção // João Leitão

Assessoria de Imprensa // Mafalda Simões

Assistência // Carlos M. Marques

Fotografia de cena // Elisabeth Vieira Alvarez

Video promocional e Registo de Espectáculo // Vitor Rosário

Design gráfico // Paulo Guerreiro

Apoio à Edição Livro // Susana Paiva

Co-produção // Festival Temps d'Images/Duplacena e BODYBUILDERS

Apoio em Residência // Micadanses (Paris), Le Carreau du Temple (Paris), Ko Murobushi Archive (Tóquio), Ryogoku Bear (Tóquio), Teatro Municipal do Porto . Campo Alegre (Porto), EIRA (Lisboa), O Espaço do Tempo (Montemor-o-Novo)

Acolhimentos // Negócio/ZDB (Lisboa), Ryogoku Bear (Tóquio), BuOY (Tóquio), Auditório Municipal Augusto Cabrita (Barreiro)

Parcerias //

Escola de Artes - Universidade de Évora, Escola Superior de Arte e Design - Caldas da Rainha, Escola Superior de Dança / Instituto Politécnico de Lisboa

 

Patrocínio // FUJIFILM Portugal

 

Apoio à Internacionalização // Fundação Calouste Gulbenkian

Projecto cofinanciado pela Direcção-Geral das Artes / Governo de Portugal – Ministério da Cultura

Agradecimentos //

Kimiko Watanabe, Lang Craighill, Dai Matsuoka, Hideo Sekino/Rakudoan, Tânia Guerreiro, Bénédicte Goinard.

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